segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Sorriso vazio

Por Josciene Santos
"Ôh, minha filha, eu sinto falta sim। Mas o que posso fazer se estavam todos estragados e doendo muito?", confessou Maria Alzira, de incertos 75 anos, moradora de Itapuã।Alzira já não possui nenhum dente na arcada superior e apenas 7 , estragados, na inferior। Esse fato lhe enquadraria apenas como mais uma dentre tantas pessoas na mesma situação em todo o Brasil। Porém, na medida em que ela se recusa a utilizar qualquer tipo de prótese em substituição aos dentes retirados, ela se afasta da tendência verificada pelos profissionais da área odontológica.



Dianil Régis, odontologista que atende em seu consultório protético situado no prédio Itamaraty, Garibaldi, aponta que a grande maioria das pessoas que retiram os dentes não enxergam a possibilidade do não-uso da prótese. “É uma questão de estética mesmo. E mais ainda, é uma questão de convívio social. Ninguém com os dentes estragados se sente seguro para procurar emprego, amigos ou namorado”, afirmação que é confirmada por Cristina Alves, 29, que comprou um aparelho protético em Itapoã: “Meus dentes se estragaram cedo, mas só a 6 anos eu decidi extrair a maior parte e colocar uma prótese móvel. O resultado foi muito bom. Hoje eu não coloco mais a mão na boca na hora de sorrir, e tive coragem de ir procurar um emprego.”
Os preços das próteses variam a depender do grau de perfeição exigido pelo cliente. “Talvez pelo fato de meus clientes serem de classe média e média alta, eles não aceitam um produto que não chegue perto da perfeição. As classes menos abastadas, felizmente, se contentam com um serviço menos elaborado ou aperfeiçoado”. Segundo Régis, para se conseguir pequenos detalhes, mas que fazem toda a diferença e podem significar a total dissimulação do uso dos dentes artificiais, é necessário um imenso trabalho. Trabalho esse que é repassado ao preço. O valor das próteses feitas pelo doutor Régis chegam a variar entre 1 mil e 50 mil reais, a depender da quantidade de dentes a serem substituídos, do tempo dedicado à confecção e do material utilizado. Mas , em bairros populares, em consultórios que, nas palavras dele, “ não pagam condomínio ou aluguel alto, que não têm uma folha de pagamento cara, que não são constantemente pressionados pela obrigação de conseguir produtos perfeitos” as próteses têm um preço mais acessível, como comprova o consultório de doutora Sheila Carvalho, Itapoá e o de Dr. Luís Melo, São Cristóvão, nos quais uma prótese móvel, completa, custa entre100 e200 reais.
Osvaldo Vidal, odontologista do Centro de Saúde Hélio Machado, em Itapoã, alerta para o fato de as pessoas enxergarem nas dentaduras postiças uma saída estética eficiente, mas que apenas camufla suas aparências de desdentadas. “O sujeito já vem aqui pedindo para extrair os dentes. Ele não quer saber se podem ser recuperados ou não. Geralmente estão doendo, inchados, portanto eles só querem se livrar da dor de uma vez por todas, e não pensam muito antes de escolher se querem, literalmente, arrancar o problema pela raiz ou voltar algumas vezes ao dentista para fazer os reparos necessários”,afirmou.
Quando indagado sobre a insuficiência do SUS em arcar com a demanda odontológica e sobre a viabilidade econômica de bancar a feitura de próteses à população,Vidal não poupa críticas.“Dinheiro para ser investido na saúde existe. O que não temos é políticos de verdade para encaminharem esses recursos para onde devem ser direcionados, que deixam a saúde publica às mínguas”. No dia 25 de abril, o Centro de Saúde Hélio Machado, posto de referência em atendimento odontológico de emergência, estava com todos os aparelhos quebrados. “Se uma pessoa chega aqui hoje e está precisando de uma cirurgia, ou bateu o dente em algum lugar e quebrou, e está sangrando, eu sou obrigado a encaminhar para outro lugar, que só deus sabe se estará em condições de atendê-la, porque aqui está tudo quebrado. No máximo vou poder receitar um remédio para aliviar a dor”, indignou-se Vidal.
Procurada para dar maiores informações a respeito dos postos odontológicos em Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde mostrou-se inacessível. Após horas sendo transferida de ramal em ramal na tentativa de agendar uma entrevista antecipadamente, a repórter dirigiu-se até a sede da secretaria por duas vezes consecutivas, ambas em vão. Vencida pelo cansaço, a doutora Xx da Secretaria de Saúde resolveu dar uma rápida entrevista, deixando bem claro que não estava dando uma informação oficial, que não permitiria a gravação da entrevista, e que nem mesmo consentiria que a repórter saísse dali levando a folha, na qual xx rabiscou algumas informações.
Xx não tentou negar o caus verificado no Centro de Saúde Hélio Machado. Mas justificou, após telefonar para o Centro: “o compressor estava quebrado. E com isso nenhum outro aparelho poderia funcionar. Mas ontem, dia 03 de abril, um novo compressor foi enviado”.Xx cita os projetos implantados em salvador com o intuito de oferecer uma saúde bucal mais eficiente na cidade. “Temos postos de bairros, os Postos de Saúde Familiar (PSF), os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), os Programas de Saúde na Escola (PSE)”. E diz reconhecer que “ainda há muito por fazer, mas não se deve generalizar esse caus verificado no Centro de Itapoã como sendo de toda Salvador, apesar de haver outros postos em situação parecida”,concluiu.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

artistas como quaisquer outros.

Por Josciene Santos
Com um cigarro na boca, roupa vermelha e sensual e expressão de desejo, Ninfa Cunha e seu parceiro e coreógrafo Déo Carvalho mostrou à platéia do II Circuito de Deficientes Sobre Rodas que deficiente também tem vícios e vida sexual। “Eu não sou exemplo para ninguém। Eu não quero ser। Sou uma pessoa como qualquer outra e faço tudo o que todos fazem। E quando estou no palco, eu não estou ali para expor minha deficiência ou para que me vejam como exemplo de superação ou de vida। Estou ali como uma artista, mostrando meu trabalho”, desabafou Ninfa।

Ninfa e seu parceiro, além de outros grupos artísticos, se apresentaram no Dique do Tororó logo após o fim da competição dos atletas, mediante um cachê, segundo ela satisfatório. Ela conta que, apesar do campo para apresentação de dança com deficientes estar crescendo, é um progresso lento. “Muitos lugares e eventos entram em contato conosco para que façamos apresentações. Mas são raros os casos em continuam a conversa quando informamos que cobramos uma remuneração. A impressão que tenho é que eles consideram um favor, um ato social louvável abrir espaço para que um deficiente mostre seu trabalho. E não é isso. Nós somos artistas como qualquer outro. E merecemos poder sobreviver de nosso trabalho”, contou. Mas isso ainda não acontece. Cunha complementa sua renda através de um trabalho numa ONG para o qual foi encaminhado através da ABADEF.
O grupo RODART, que tem apenas Ninfa e Déo Carvalho como membros ativos, nem mesmo pode contar com patrocínio oficial, pois não faz parte da ABADE ou de nenhuma associação, pois o tipo de dança que executam não podem concorrer como dança esportiva. É uma dança contemporânea. “Eu não gosto de dança milimetricamente formalizada, enquadrada, rígida. Eu e Déo trabalhamos muito com temas do cotidiano e com tabus. Falar da sexualidade dos deficientes, de gravidez, etc ainda é um tabu. E nós transformamos isso em dança. Eu acredito que para dançar, tem que mexer aqui dentro do coração. E nós buscamos passar para a platéia um sentimento que não seja pena. Nós buscamos provocar o publico”.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Da Analógica à Digital

Por Josciene Santos

Por volta de 1950, os EUA já contavam com cerca de 1000 estações servindo a 12 milhões de aparelhos de televisão। Enquanto que, no Brasil, Assis Chateaubriand dava o primeiro passo para a entrada do Brasil na Era da Televisão, com a inauguração da TV - Tupi, no Canal 3।


Se o principal veículo de informação e entretenimento dos brasileiros era o rádio, a partir dali um novo fenômeno começava a “invadir” as casas das pessoas e, ao que parece definitivamente o de um modo bem diferente do rádio. Pois, se com este a imaginação do ouvinte era extremamente necessária para acompanhar, ver, imaginar as imagens sugeridas pelo locutor, com a televisão o espectador recebe a imagem pronta para ser consumida, sem nenhum esforço imaginativo.
Mas, obviamente, isso não implica em dizer que a atenção do espectador esteja automaticamente estruturada pela imagem. É o inverso que acontece. A televisão não estrutura a atenção do receptor. Ela dispersa essa atenção. Isso se dá porque a continuidade das imagens da televisão, em seqüência de fragmentos inseparáveis aos olhos de quem assiste, são análogas ao fluxo da consciência humana. Isso, hipnotiza, arrebata visualmente o espectador e leva a pensar-se, na verdade, as pessoas vêem tevê ou o que está na TV.
Na TV, a imagem é uma formação, uma realidade trabalhada, pensada, concreta mesmo que não seja objetiva e que é produzida para o consumo fácil e imediato, sem grandes apelos ao intelecto. Com isso, claro, não se quer dizer que a TV, a imagem não seja sugestiva. Ao contrário. As imagens, repletas de significados – facilmente codificadas ou não – sugerem muito mais do que o simples fluxo verbal e alcança a parte menos vigiada do psiquismo pelo intelecto, afinal o espectador se abandona, descuidado, frente a TV.
Geralmente, no universo das imagens que é a televisão, a sensação predomina sobre a consciência, apelando para todos os sentidos ao mesmo tempo, porém os enfraquecendo.
É certo que a TV traz uma imagem concreta. Mas isso não implica em dizer que ela faz uma reprodução fiel da realidade. Até mesmo numa reportagem, onde se supõe haver o máximo de objetividade e empenho para mostrar o fato real, mesmo que esteja sendo transmitida diretamente, ao vivo, ela não consegue reproduzir fidedignamente a realidade. Acaba resultado num amontoado com vários pontos de vistas diferentes: do realizador, responsável por relacionar as imagens num monitor; do produtor, que é livre para fazer cortes arbitrários; do cameramen, que seleciona os ângulos enquanto filma, enfim, de todos aqueles que podem de alguma maneira intervir no processo de elaboração e transmissão da imagem. Ainda nesse sentido, a televisão impõe ao receptor a sua maneira especial de ver a realidade. Ao alternar sempre os closes (apenas o rosto de um personagem na tela, por exemplo), e cenas reduzidas (a vista geral de uma multidão), ela não dá ao espectador a possibilidade de escolher aquilo que ele quer ver em pequenos ou grandes detalhes, o essencial ou acidental. Sem se falar que, os efeitos de montagem e dramaticidade, que têm a finalidade de tornar a mensagem mais interessante e bela esteticamente, ajudam a deformar a realidade comunicada: mostrando por certos ângulos e não por outros, um evento pequeno, com pouca participação popular pode aparecer nas telas aparentando um grande evento e os efeitos de continuidade operados através dos monitores ajudam a criar o resto da ilusão.
E está aqui uma das grandes armadilhas deste veículo. O receptor, certo de estar vendo algo real pode deixar-se influenciar ainda mais pela mensagem e entregar-se aos processos de identificação e projeção.
Uma outra característica que chama a atenção quando se fala em televisão é a verticalização da linguagem utilizada para comunicar. E, é necessário que se diga esta é uma linguagem chula, pobre, banal. A justificativa para isso se dá devido ao fato de esse veículo, ter uma norma geral que visa abarcar, atingir o maior público possível. Dessa forma, uma mensagem bem elaborada, rebuscada, satisfaria uma pequena parcela da população, enquanto que a grande maioria das pessoas não teria facilidade para codificar a informação. A saída, então, é reduzir a mensagem a um suposto denominador comum, que possa atender às várias classes sociais, ao maior número de consumidores.
Na realidade, os produtos televisivos estão bem menos preocupados com a linguagem utilizada pelo meio de comunicação do que com a subversão dos costumes. Eles procuram dar ao público o que ele deseja, num chavão empregado pelos produtores televisivos mundiais e, claro, brasileiros. Dessa forma, e tendo em vista que a família é a unidade básica do público de televisão, é em função das famílias que a programação é constituída. Assim, se tal personagem, de acordo com o script, deveria morrer no fim da novela, mas o público quer o contrário, muda-se o roteiro para satisfazer a audiência. A grande maioria dos espectadores de tal horário são pessoas de baixa faixa econômica? Então, deve ser veiculado assuntos que condizem com a realidade deste público e que possam interessá-lo: apelo com violência, valores tradicionais relativos à infância, perseguição e prisão de bandidos, etc.
Claro que essa ligação do comunicador com o público poderia ser vista como benéfica, mas o que acontece na TV Analógica nessa relação entre produtor e tevê e público é apenas uma deformação da mensagem, onde esse meio converte-se num organismo difusor de distorções, estereótipos e preconceitos sociais, além de aguçar contradições sociais. Apesar de haver uma antena e uma TV na casa de um rico e de um pobre, essa aparenta igualdade não se reflete no conteúdo veiculado. Na televisão, geralmente, os fatos são mostrados através de um ângulo que satisfaz os interesses ocultos de poucos.
Nesse sentido, a constante veiculação dos movimentos do Sem Terra, por exemplo, a um olhar descuidado, pode vir a parecer uma politização do meio, um comprometimento com a causa. Mas, antes de se chegar a essa conclusão o movimento vem sendo mostrado, pois a simples focalização mais freqüente do seu líder, ou das podem aparecer com significações diferentes na tela, a depender do enfoque dado.

Televisão e dependência cultural

O século XX marca o apogeu do poder industrial. Sendo assim, a estratégia para dominação territorial sofre uma mutação que acompanha a nova era industrializada, ensejando uma “Segunda colonização”. Esta, porém, visava garantir uma dependência econômica e, ao mesmo tempo, manter a aparência de autonomia nacional para os países liberados da tutela política dos centros metropolitanos. Para tal, os veículos de comunicação de massa passaram a desempenhar uma função colonizadora, disseminando mercadorias culturais. A expansão desses meios apresentava um aspecto eminentemente político.
A nova realidade histórica obrigava as potências colonizadoras a encontrarem novos caminhos para manter o controle das áreas conquistadas. Sendo assim, foi decisivo o desenvolvimento dos novos veículos de comunicação eletrônica, pois possibilitaram a garantia de mercado para as antigas nações colonizadoras e a certeza de bombardeamento do germe do socialismo, que se espalhava pelo globo terrestre.
Tendo em vista a capacidade de cercar e capturar a consciência do público por todos os lados desempenhados pela televisão, que é capaz de aproximar-se da meta definida por Adorno como “a totalidade do mundo sensível em uma imagem que alcance a todos os órgãos”, a televisão ocupa um papel excepcional.
Portanto, fica claro por qual motivo esse meio apresenta uma rápida expansão, implantando-se na grande maioria dos países subdesenvolvidos, inclusive naqueles que não apresentavam condições econômicas para importar a tecnologia necessária.
É notório e destacável que esse desenvolvimento acelerado tenha se dado impulsionado por objetivos ocultos numa união de estratégia política e econômica.
Os EUA, por exemplo, depois da Revolução Cubana, compreenderam que a existência dos meios de comunicação de massa nos países sob seu domínio significaria mais que um recurso para dominação econômico-social, era também um importante instrumento para tarefas político-militares, capazes de estimular ou coibir possíveis focos de revoluções nacionalistas.
No Brasil, também, não foi por acaso que o desenvolvimento expressivo da televisão brasileira tinha se dado após o movimento militar de 1964, quando todo um complexo de telecomunicações que assegura, ainda hoje, um controle estratégico de todo o território nacional se expandia assustadoramente. E, como já é de se esperar, foi atrelada culturalmente aos centros multinacionais de produção de programas e de notícias, sob a hegemonia dos EUA, que a televisão brasileira se expandiu tecnologicamente. E essa dependência se dá não só em relação aos EUA. Dentro do próprio Brasil há também uma dependência interna, na qual as regiões economicamente estagnadas do país ficam dependentes dos pólos industriais.
No que se refere ao conteúdo veiculado pelo meio televisivo no Brasil, nota-se claramente uma tendência conformista das mensagens em correspondência com a própria orientação do sistema brasileiro de comunicação cultural das últimas décadas, que visa em primeira instância estimular o consumo e, ao mesmo tempo, promover divisões. Aqui, há uma enorme prevalência das informações triviais sobre as utilitárias.
Se os principais canais de TV pública forem analisados há de se notar que a maior parte da programação diária é constituída pelos programas de entretenimento, ou seja, programas repletos de mensagens banais e alienadas responsáveis pelo distanciamento dos telespectadores da realidade em que vivem.
E, observando o
panorama nacional, nota-se que grande número das estações se classifica como retransmissoras de programas gerados por centros externos de produção.
E ainda há de se destacar que grande parte dos programas não são transmitidos ao vivo, mas enlatados. Dessa forma, o espaço para que haja improvisação criativa e manifestações espontâneas é reduzido. Assim como as programações locais.

“A redução dos programas ao vivo barra as possibilidades de atuação dos músicos, cantores e atores locais, impedindo em última instância que reproduzam e recriem os padrões de cultura regional” ¹.

As emissoras de televisão apresentam uma expressiva homogeneidade nas suas programações. Elas atuam segundo um único modelo que valoriza externamente o entretenimento, dirigindo para tal categoria uma carga horária bastante expressiva e majoritária. Sendo que, nesse regimento, há uma predominância de filmes (quase que exclusivamente importados) e novelas.
Dessa forma, pode-se falar num colonialismo cultural, já que grande parte dos programas exibidos é ocupados por material proveniente de universos culturais diversos daquele peculiar à população à qual se destina. Grande faixa desse material é estrangeiro, outra parte é nacional, restando pouco espaço para a produção regional e local. E é necessário que se diga aqui que, se for enquadrar os programas de origem estrangeira mas numa roupagem brasileira – Simple life, mudando de vida, Big Brother Brasil, etc – entre o material estrangeiro, a produção nacional também diminui significativamente.
Quando se fala de programação local, verifica-se que este assume um caráter diversional, pois objetivam entreter os telespectadores.
O que dizer da Bahia Meio Dia, exibido pela filial da Rede Globo, Rede Bahia? Esse programa reconhecido como um jornal é um meio de apresentação artística, musical, de entrevista com especialistas diversos, de divulgação de ofertas de emprego, de procura de desaparecidos de reportagens noticiosas, e também analíticas, etc. Isso significa uma tentativa das emissoras de TV de procurar fortalecer os laços com as comunidades a que se dirigem. Também é importante frisar que a programação informativa local apresenta-se bem maior que a mesma categoria considerada no bojo da programação nacional. E, por falar em Rede Bahia, para se avaliar a conexão de interesses políticos e econômicos que estão por detrás das mensagens, programas e campanhas veiculadas pela televisão é fundamental identificar as relações de poder nos sistemas de comunicação.

“Não basta saber quem controla um determinado veículo, mas torna-se importante descobrir a teia de compromissos dos seus proprietários, pois assim é possível analisar com maior precisão o seu comportamento comunicativo”¹.

Nesse contexto, onde se pode encaixar o mito do “interesse público” evocado pelas empresas de comunicação em geral? Ora, se o sistema no qual os meios de comunicação operam é o capitalista, antes dos interesses, expectativas e aspirações da coletividade a que servem esses veículos, estão as conveniências sociais a que seu dono se vincula e as vantagens particulares.
Mas, detectar, provar essas relações de poder não é uma tarefa das mais fáceis. Há toda uma mística do segredo que, normalmente as protege de se tornarem de domínio público, Além disso, existe uma organização jurídica peculiar às
atividades empresariais e que permite a criação de diferentes empresas por uma
mesma pessoa ou por um mesmo grupo. As vinculações no plano institucional,
também, nem sempre são explícitas. E, as pessoas que possuem informações
importantes receiam comprometer-se ou confiar-se a repassar essas informações
Dessa maneira, apesar de muito se especular sobre as relações de poder, essa é

uma área nebulosa, onde se torna difícil fazer comparações. É bem mais fácil detectar as relações de poder no plano político do que no econômico, mesmo porque o primeiro tem suas relações muitas vezes tornadas públicas e notórias pelo envolvimento dos proprietários e dirigentes de emissoras com o sistema governamental.

O Sistema de Concessões

Assim como nos EUA, o sistema brasileiro de televisão pertence ao Estado, mas sua exploração é concedida a particulares ou a instituições públicas. Disso forma, se é o Estado, o seu representante quem concede o direito à exploração de um dado canal a uma dada pessoa ou instituição esse mecanismo das concessões contém naturalmente o ingrediente autoritário, que permite o controle por parte do grupo que detém o poder de Estado. Isso significa, então, que quem recebe essas concessões sãos os setores empresariais ou estatuais de confiança do governo federal. Ora, mas as concessões são realizadas mediante concorrência pública, poder-se-ia argumentar, mas isso apenas serve para conferir uma roupagem legal e um caráter democrático, porque baseadas na competição, afigura-se evidente que as próprias normas estabelecidas para a escolha dos concessionários já possuem endereço certo, o que equivale a dizer que as personalidades ou empresas não afinadas com os eventuais donos do poder estão excluídos da possibilidade de operar canais de TV.
Dessa forma, surge uma relação de dependência entre os que recebem a concessão e os detentores de poder político. E isso se intensifica devido ao fato de as concessões serem periódicas e possíveis de cancelamento.
Uma vez que os interesses empresariais recomendam evitar possíveis confrontações com os agentes estatais que possam redundar num prejuízo econômico para a empresa, os veículos são submetidos a uma censura prévia. Essa variável dispõe de um caráter vigoroso, pelo fato de a censura ser praticada sem regras permanentes, mutáveis de acordo com as circunstâncias institucionais.
Na medida em que a distribuição de concessões não é feita apenas de acordo com critérios técnicos, a relação de poder já se estabelece no próprio ato da concessão do canal. Quem detém uma concessão, ou já integra o conjunto de sustentação do poder estabelecido, ou compromete-se a tal.


Uma nova tecnologia_ digital

A TV Digital foi uma tecnologia bastante aguardada no mercado de consumo mundial. Quando se fala em TV digital logo se imagina o casamento ideal entre duas das mais fantásticas invenções já realizadas pelo homem: a televisão e o computador. A TV seria um terminal capaz de realizar ao mesmo tempo funções diversas como lazer e serviços on-line e interativo. Dessa forma, esse novo aparelho digital seria uma espécie de produto que representaria uma milionária reserva de mercado e lucro. Mas o que se verifica é que o ocorrido não foi como o imaginário dos empresários do ramo esperavam. A implantação mundial da TV Digital pode ser considerada um case contemporâneo de fracasso comercial.
Em 1996 , na maior feira mundial de produção e programação de televisão, em Cannes, era lançada a TV Digital da MIP TV. Na época, era alarmada a revolução tecnológica que o novo produto representaria. Protótipos foram apresentados em luxuosos stands de TVs japonesas em parceria com a sony. Enquanto isso a internet e a informática estavam engatinhando no Brasil e no mundo. E de lá pra cá pouca coisa mudou em relação a TV Digital.
Apesar de alguns países terem desenvolvido formatos e padrões próprios, o usuário não transformou a empolgação tecnológica em compras. Na verdade, muito se investiu na nova tecnologia e pouco se lucrou com ela, até agora.
E esse é um conflito que somente agora passa a ser mais detalhadamente analisado, afinal a TV Digital é um produto com enorme potencial mercadológico, cuja compreensão se aviva atualmente.
Para se resolver tal problema, imaginou-se que bastaria escolher entre um dos três formatos de televisão existentes: o japonês (ISDB), o americano (ATSC) ou o europeu (DVB). Ma essa decisão traz consigo o peso das organizações internacionais na pressão por conquistar um mercado do porte do Brasil para seu bloco, sem falar na divergência interna da preferência dos diversos setores envolvidos na adoção do sistema. O padrão americano não permite a transmissão da TV digital móvel, que vai no carro, no barco, no trem, no ônibus, e muito menos permite a transmissão portátil, que vai para o celular. Por outro lado. o sistema europeu faz a transmissão móvel/portátil, mas faz isso usando o canal da telefonia celular, ou seja, você vai ter de pagar para receber a imagem no celular. Mas o presidente Luís Inácio Lula da Silva deixou claro que tem de ser de graça para todo mundo, então também não pode ser usado o sistema europeu. Dessa forma, optou-se por criar um sistema baseado no japonês, que seria o sistema americano e sistema europeu corrigidos.
No Brasil, os estudos para implantação da TV Digital foram conduzidos pela Anatel e cpqd, ligados ao Governo federal e pela SET/Abert, entidade representativa das empresas de comunicação, e se iniciou desde o governo Fernando Henrique Cardoso, porém a decisão sobre formatos e legislação foi repassada para o governo Lula.
É necessário que se tenha claro que as plataformas existentes no mundo de TV Digital representam os interesses de grupos privados internacionais apoiados por forte lobby dos seus governantes. Os padrões técnicos desenvolvidos são para atender mercados próprios, mas não estão obtendo sucesso nos países de origem. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos, existem mais transmissores digitais que receptores. E no Japão, a transmissão digital pelo ar ainda não começou e a por satélite é um fracasso comercial.
”A aplicação dos sistemas existentes, o mercado potencial de equipamentos, a conseqüente prestação de serviços, a geração de uma nova infra-estrutura industrial, os compromissos de isonomia e reciprocidade tecnológica e a expectativa dos usuários brasileiros em relação à TV Digital são os pontos-chave da discussão sobre que sistema deve ser adotado em nosso País”.¹

É certo que a implantação da TV Digital no Brasil não terá custo baixo, afinal terão que ser adquiridas novas tecnologias. Dessa forma, resta uma pergunta: quem vai pagar a conta?
A idéia é que inicialmente elas serão pagas pelas próprias emissoras de televisão, que investirão cerca de U$ 1,7 bilhão em dez anos. Esse dinheiro será destinado à substituição de transmissores e antenas, equipamentos de gravação e edição bem como recursos técnicos e de produção oriundos da oferta de novos serviços. Mas esta é a opinião dos grupos empresariais de comunicação e da indústria de equipamentos e de aparelhos receptores.porem os representantes de entidades e associações ligadas à sociedade civil não pensam da mesma forma. E muito menos o Governo Federal, que se posicionou claramente pela adoção de um padrão nacional de TV Digital, que evite dependência tecnológica com o pagamento de royalties e licenças e que permita o desenvolvimento da indústria tecnológica nacional através da pesquisa e desenvolvimento voltados para a fabricação de equipamentos e prestação de serviços técnicos.
Essa conta, na verdade, será paga pela própria população, afinal, mais de 60 milhões de aparelhos de televisão deverão ser substituídos ou adaptados com unidades conversoras (Set Top Box), para compatibilizar a recepção digital com aparelhos analógicos. Um mercado potencial de U$ 10 bilhões.
Dessa forma, o Governo determinou uma política governamental com objetivos para a TV Digital brasileira que, na teoria, atende aos anseios da população: ela será aberta, livre e gratuita para o usuário final, na modalidade exclusiva de radiodifusão. Oferecerá interatividade ao menor custo de produção de equipamentos, programas e serviços. E permitirá a pluralidade nos conteúdos das programações. Mas nada disso funcionará em excelência se não vier acompanhado de políticas de inclusão digital para a população. Afinal, toda essa empolgação proporcionada pela nova mídia atinge a grande maioria dos brasileiros, porém não se pode esquecer que o Brasil ainda engatinha no processo de inclusão digital de seus jovens e adultos. Inúmeras pessoas que não possuem ou nem mesmo têm acesso a tal aparelho nem aos recursos que ele oferece, tais como a internet.
Caso o documento que foi entregue à Casa Civil não seja apenas mais um pedaço de papel assinado pelos feitores da lei e cumpra com suas propostas, a inclusão digital será prioridade, além do desenvolvimento de tecnologias brasileiras, da otimização do uso do espectro, da contribuição para a convergência tecnológica e do desenvolvimento de um sistema que atenda às necessidades sociais e econômicas dos outros países da América Latina.
Talvez uma das questões mais importantes quando se fala no processo de implantação da TV Digital no Brasil se refira ao posicionamento que ele passa assumir em relação aos seus vizinhos da América Latina e, também em relação ao mundo. O Brasil, como sendo o quarto país em numero de usuários de televisão, com cerca de 60 milhões de aparelhos instalados, ao assumir publicamente este posicionamento, toma a dianteira em um processo arrojado de gestão pública sobre a área tecnológica. Principalmente ao combinar esta posição à decisão já tomada de apoiar a implementação de recursos de plataformas e softwares livres para a estrutura administrativa governamental, utilizando-se de sua posição privilegiada que possui nesse setor ao lado da China, Índia, Rússia e outros países, com os quais divide a vanguarda na pesquisa de formatos e padrões digitais próprios bem como a adoção de programas não proprietários na administração pública. É certo que a implantação de um padrão brasileiro de TV Digital vai incentivar a criação da infra-estrutura necessária de softwares e hardwares, acelerando de forma diferenciada o desenvolvimento da indústria de tecnologia no Brasil. Isso, de certo contribuirá para que o Brasil desponte definitivamente como um pólo nessa área. Dessa forma, parece óbvio que as autoridades responsáveis pela definição de políticas públicas federais na área tecnológica devem aproveitar este momento para promover um amplo debate sobre a diversificação de conteúdos na TV Digital.
Esta é, sem dúvida a grande questão dessa nova tecnologia no Brasil. É fato que, numa população de analfabetos tecnológicos como a brasileira, a possibilidade de poder contar com uma variedade muito maior de canais, de programação e a maior qualidade de imagem e som terão maior importância do que a sofistificação na interatividade de serviços que dão a possibilidade de multiplicar o alcance de canais e opções de programação. E com isso não se está tendo uma visão preconceituosa da população brasileira, mas a verdade é que isso se explica devido ao fato de que a quase totalidade dos telespectadores nunca teve como usufruir as vantagens da TV por assinatura. Dessa forma, para os brasileiros das classes C, D e E acessar centenas de canais através dos seus próprios aparelhos de televisão analógicos adaptados aos conversores set top box interessa muito mais que a possibilidade de abrir e-mails ou fazer compras pela TV. Isso porque o telespectador não tem o mesmo perfil do usuário do computador. Sendo assim, mais do que simplesmente oferecer inúmeros serviços à população, a TV Digital terá que refletir sobre como envolver as pessoas com esses novos serviços e como não ofuscar o bem sucedido mercado do entretenimento.
O debate para viabilizar a TV Digital no Brasil terá muito mais elementos ligados à satisfação das demandas da mídia televisiva que os da conectividade e interatividade, afinal existem atualmente instalados no país mais de 60 milhões de aparelhos televisivos nas casas em ambientes variados, enquanto que o numero de computadores é bem menor: cerca de 16 milhões, e destes não se sabe quantos estão nas casas dos brasileiros ou em estabelecimentos outros. Fica claro, então, que o computador vive um estágio mercadológico bem diferente da televisão. E a compreensão desse dado é fundamental para a indústria, para o setor público e para a sociedade, principalmente quando se objetiva introduzir num país de analfabetos digitais uma nova tecnologia que requer certo conhecimento desse tipo. Há uma enorme necessidade de tratar a inclusão digital como autêntico serviço público, gratuito quando for o caso e voltado para a garantia de um direito essencial de todo o cidadão. É fato indiscutível a capacidade da inclusão digital promover o acesso à educação e à cultura, bem como a inserção na economia em seus vários segmentos. “Governo e sociedade deveriam aproveitar esta oportunidade de transformação tecnológica para finalmente criar um mercado de televisão plural e democrático, que incentive as produções audiovisuais em todas as regiões e afirme nosso País como pólo soberano de criação cultural e intelectual. A implantação da TV Digital deve permitir o surgimento de uma nova televisão. E não, apenas, de um novo eletrodoméstico”¹.


Outro aspecto que deve ser levado em conta quando se passa a supor a relação que o espectador brasileiro passará a ter com a nova tecnologia é em relação ao uso que ele fará da variedade de programação que se supõe que existirá em breve. Claro que não se deve subestimar a capacidade do cidadão brasileiro de escolher uma programação de qualidade como alternativa à informação generalizada e aos bens culturais. Mas essa é uma preocupaçao pertinente. Porém, pouco pode ser feito a esse respeito, afinal a legislaçao brasileira garante liberdade total à pessoa do telespectador. Pode-se, como aliá já é feito, indicar para quais espectadores o programa é indicado, mas nao privar alguém de asisti-lo. Dessa forma, o importante é que a programaçao televisiva deixe de priorizar o mero entrenimento para investir maciçamente em atividades culturais e educativas capazes de aumentar o nível de conhecimento do espectador e fomentar seu espírito crítico e participativo.
Não basta apenas sustentar ao cidadão o direito democrático de assistir ao que ele quiser, com alta definiçao e som de excelência, é importante também que se invista numa grade mais voltada para a realidade nacional e regional com alto padrão de qualidade produzida pelo maior leque possível de agentes.
Com a tv Digital o telespectador vai poder também viabilizar operações bancárias, como consultas a saldos e extratos, transferências de valores e aplicações, por meio de uma TV Digital, mas com atuação técnica e regulatória. Essa comodidade foi desenvolvida pelo cpqd (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) e será chamada de cpqd T-banking. Por considerar a enorme penetração da TV nas casas das famílias brasileiras, isso provocou uma enorme corrida dos bancos para que este novo canal de serviços entre no ar assim que as transmissões de TV Digital se iniciem. Afinal, o cpqd T-banking é uma ferramenta de alto valor agregado, que tende a complementar os canais de serviços de auto-atendimento já existentes, como a internet, o telefone e os caixas eletrônicos, o telespectador poderá, então, com essa nova tecnologia, realizar operações bancárias com o controle remoto, sentado no sofá. Tal comodidade proporcionará que as pessoas acessem serviços bancários de qualquer lugar que possua um aparelho de TV, no horário de conveniência, com facilidade e segurança.
Outro ponto destacável em relação ao formato brasileiro de TV Digital diz respeito a possibilidade de o espectador poder gravar certos programas. O governo não cedeu à pressão dos radiodifusores, que queriam instalar a um bloqueador nos receptores, a fim de impedir a gravação de alguns programas. As emissoras, claro, alegavam que essa medida visaria impossibilitar que houvesse comércio ilegal de cópias, pirataria., pois as cópias teriam uma qualidade muito boa, com excelente imagem e áudio e ao uso dos bloqueadores garantiriam que fossem respeitados os direitos autorais dos programas, novelas, filmes e etc. exibidos.
Mas, se a TV é aberta, não se pode impedir o cidadão de gravar vídeos, programas, e etc. para seu uso pessoal. Mas isso não implica na liberdade das pessoas de reproduzirem e comercializarem os produtos. Cabendo à legislação de direitos autorais vigente punir os infratores como crime de pirataria.
Todas as normas referentes à TV Digital devem ser seguidas pelas produtoras de conteúdo e pelos fabricantes de televisores e dos aparelhos conversores de sinais digitais em analógicos (set top boxes).
Os Set Top Boxes permitirão, além da citada melhora significativa na qualidade da imagem, a possibilidade de p telespectador escolher se vai assistir a um filme na língua original ou dublado e se a legenda será em português ou em outro idioma.
Também para os deficientes auditivos haverá uma importante mudança. Eles poderão acionar um ícone eletrônico que traduzirá os programas de TV para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Haverá também a incorporação de tecnologias brasileiras, como o compressor de vídeo (H264), que vai permitir que no espaço de um canal possam ser transmitidos até oito canais. Também será incorporado o codificador de áudio (AAC3), que permitirá que o som seja ouvido como em um "hometheater".
Sem dúvida é muito bom que a população possa gravar os materiais veiculados pelo novo meio. Mas ainad há outros problemas a serem solucionados. A data prevista para que a TV Digital comece a operar inicialmente em São Paulo e depois no restante do Brasil se aproxima (02/12/2007) e o brasileiro não contará ainda com o principal atrativo da nova tecnologia: a interatividade. O brasileiro ainda terá que esperar um pouco mais para poder acessar e-mails e consultar dados do INSS e FGTS pela TV.
Na verdade, sequer foi decidido ainda qual será o grau de interatividade dos conversores que farão a conversão dos sinais digitais em analógicos, permitindo que os telespectadores continuem usando o televisor que já possuem.
Há que se levar em consideração que um conversor muito complexo pode elevar o preço do produto para a população, mas por outro lado, um aparelho muito simples implicará na sua necessária troca tempos depois. Nesse sentido, há uma corrida para evitar que, com o desenvolvimento da interatividade, os consumidores tenham que comprar um segundo conversor. O desafio de pesquisadores e da indústria é desenvolver um set-top box (conversor) que permita a adição de novos aplicativos, sem que seja necessário a compra de outro aparelho.
Talvez a mais expressiva das decisões tomadas em relação à política da TV Digital diga respeito à expansão dos créditos para que possa atender às emissoras de pequeno porte. Para o financiamento da compra de equipamentos com tecnologia digital O limite mínimo de crédito diminuiu para as pequenas emissoras, que passou para R$ 400 mil e também para as grandes, que passou de R$100 milhões para a metade.
Essa é uma medida importante, pois proporcionará que grande parte da tecnologia envolvida na nova TV seja utilizada. Afinal, a tecnologia da TV Digital possibilita que inúmeros canais sejam abertos. Dessa forma, acabará a política de concessão, pois mesmo depois que todas as TVs comercias existentes no Brasil forem atendidas, ainda haverá cerca de 80% de espaço livre para ser usado pelas outras emissoras.

“a redução vai atender, principalmente, as empresas do interior do País, favorecendo a implantação mais rápida e mais ampla da TV digital no Brasil”¹.


Outro aspecto importante e que não pode ser deixado de lado é a política de investimento só para TVs Educativas, Comunitárias e Universitárias.

“as TVs comunitarias e universitárias vão passar a ser canais abertos durante a implantação da TV Digital, por meio do Canal da Cidadania.infelizmente esses não chegam à população , só para quem tem canal fechado, pago. Uma linha especial de financiameto vai permitir que esse canais sejam abertos, verdadeiramente democráticos”.




Referências bibliográficas



MARCOS, antônio. TV DIGITAL É UMA GRANDE VITÓRIA PARA O PAÍS. Capturado em 14/06/2007. online. Disponivel na internet.http//diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?Codigo=180778&modulo=980


MELO, josé marques de. Televisão, poder e dependência cultural. in: PARA UMA LEITURA CRÍTICA DA COMUNICAÇÃO. São Paulo: Edições Paulinas, 1985.


-----.CHINAGLIA DEFENDE MUDANÇA NA LEGISLAÇÃO. Capturado em 21/06/2007. online. Disponível na internet. Http://eptv.globo.com/noticias/noticias_interna.asp?177869


MARQUES, gerusa. BRASÍLIA. Capturado em 14/06/2007. on-line. Disponível na internet. http://portalexame.abril.com.br/ae/economia/m0130114.html


------.TV DIGITAL CHEGA EM DEZEMBRO A SÃO PAULO, MAS SEM INTERATIVIDADE. Capturado em 12/06/2007. on-line. Disponível na internet.Http://www.odocumento.com.br/noticia.php?Id=225660

---.BRASILEIRO VAI PAGAR CONTAS PELA TELEVISÃO. Capturado em 16/06/2007. On-line.disponível na internet.Http://www.jcam.com.br/materia.php?Idmateria=47162&idcaderno=10


MARQUES,gerusa.FINANCIAMENTO SERÁ ESTENDIDO TAMBÉM ÀS REDES DE TELEVISÃO DE MENOR PORTE. Capturado em 17/06/2007. online. Disponível na internet.Brasíliahttp://www.estadao.com.br/tecnologia/telecom/noticias/2007/mai/30/204.htm

ANDRADE, Roberto. A COMPLEXA IMPLANTAÇAO DA TV DIGITAL NO BRASIL. Capturado em 18/06/2007. online. Disponível na internet: Http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/4/tvdigital.htm


SODRÉ,muniz. A televisão. In: A COMUNICAÇÃO DO GROTESCO. Rio de Janeiro: vozes, 1985



MELO, josé marques de. Televisão, poder e dependência cultural. in: PARA UMA LEITURA CRÍTICA DA COMUNICAÇÃO. São Paulo: Edições Paulinas, 1985.


ANDRADE, Roberto. A COMPLEXA IMPLANTAÇAO DA TV DIGITAL NO BRASIL. Capturado em 18/06/2007. online. Disponível na internet: Http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/4/tvdigital.htm


MARQUES,gerusa.FINANCIAMENTO SERÁ ESTENDIDO TAMBÉM ÀS REDES DE TELEVISÃO DE MENOR PORTE. Capturado em 17/06/2007. online. Disponível na

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Inoscente.

Por Josciene Santos

Venho aqui para fazer-lhe juiz dessa causa que não sei se quero perder ou ganhar. Do meu coração faço a promotoria e da minha razão o advogado de defesa; meus sentidos são o júri e, também, as testemunhas; minhas mãos são as armas, a prova do crime.

Eu matei, Excelência. Eu matei aquela pobre alma cujo sangue deixou marcas no meu lençol. Matei sim e não sei se posso me arrepender de ter livrado o mundo daquela ordinária.

Era alta madrugada. Eu dormia completamente despido e enrolado com aquele lençol sobre o qual foi encontrado o cadáver. Escutei um barulho. Me assustei. Era ela que aproveitava a porta do quarto aberta, entrava e estava a vagar de lá pra cá, deixando escapar dos lábios uma sussurrada melodia.

Eu estava tonto de sono. Não podia formular o pensamento. O quarto estava escuro. Não conseguia enxergar direito. E, à medida que ela se aproximava de mim, que eu sentia seu corpo cada vez mais perto e não sabia de quem ou de que se tratava, sentia muita vontade de acender a lâmpada para poder enxergar melhor. Mas não podia fazer isso senão iria espantá-la. Então continuei quietinho debaixo do cobertor. “o que será que ela quer?”, era o que eu me perguntava, até que minhas indagações começaram a ser respondidas... Ela, mansamente, veio em minha direção. Olhava-me nos olhos; analisava cada parte de meu corpo coberto. Podia vê-la lamber os lábios. Parecia tomada por um desejo ardente e insaciável.

Sem a menor timidez, foi entrando debaixo do lençol e fazendo meu coração disparar. Seu corpinho magro relava no meu e minha pele nua rapidamente se arrepiava. Era uma sensação gostosa. Muito gostosa! Ela não tinha pudor. Deslizava seu rosto no meu, enquanto sentia meu cheiro. Acariciava minha pele num leve toque, quase imperceptível. Eu sentia uma inquietação. Uma indecisão. Algo me dizia que deveria expulsá-la dali, mas me sentia preso. E também não vou negar que o calor de seu corpo transmitia uma sensação muito boa. Ela sabia me acariciar como poucas pessoas o sabem. Era tão frágil e magra! Parecia tão inocente! Mas eu estava enganado.

Deslizando seu corpo no meu, sua pele na minha ela começou a mostrar suas reais intenções. Encostava sua boquinha na minha orelha e cantava uma melodia única. Era como se tentasse me hipnotizar. Lentamente, suas carícias foram ficando mais intensas, a música mais expressiva. Então, sua boca foi se aproximando de meu pescoço... Num jogo de sedução, ela ameaçava dar uma mordidinha. Depois se afastava

Eu sabia que ela só ficaria comigo por uma noite. A essa altura eu já imaginava de quem se tratava. Com certeza era ela. Só podia ser a tal criatura de quem o bairro inteiro comentava, por entrar sorrateiramente à noite nas casas das pessoas.

Eu estava agora à flor da pele e ela não parava de passar seu corpo no meu. E, novamente, misturando um ar de inocência com seu desejo irreprimível, direcionou seu olhar carente em direção ao meu. E, num segundo de distração meu, se aproveitou da situação, deitou sua boca sobre meu rosto e me deu uma inesquecível e dolorosa mordida na testa. Na testa, Excelência!

Até agora ainda sinto a dor que aquela ordinária me fez experimentar!

No impulso da dor, levantei da cama num pulo e, quando acendi a lâmpada e vi aquela aproveitadora perto de minha cama, encostada na parede, fiquei enfurecido. Agora eu já a tinha visto e confirmado que era dela realmente que o bairro inteiro falava.
Só desejava me vingar da mordida na testa!
Mas a malandra fugia de mim. Ela sabia, ou pelo menos imaginava o que eu planejava fazer. Por isso não parava no lugar. Depois de muita fuga e perseguição, encurralei a ordinária contra a parede; olhei dentro de seus pequeninos olhos, que pareciam pedir clemência, e perguntei, com um tom de firmeza: “você sabe o que farei, não sabe? Isso não era para estar acontecendo, mas você foi dar aquela mordida dolorida na minha testa! Por que você fez isso?” Mas ela continuou muda. Aparentemente nem se sentia culpada. Não havia nenhum indício de remorso na sua expressão. Sequer cantava aquela melodia suave de antes. Talvez se ela tivesse respondido e tentado se desculpar eu não teria chegado a esse extremo. Mas ela apenas me olhava. Com um olhar cínico como se quisesse dizer: “você é sangue bom, mas o de sua testa é ainda melhor”. Ah, ordinária!

É por isso Excelência que não me arrependo do ato cometido. Até gosto de lembrar a sensação de prazer que tive quando pressionei rápida e vingativamente minha mão sobre o corpinho dela e ela contra a parede. Parece que ainda posso ouvir o barulho: ploft!

Só no dia seguinte percebi que havia outras tantas no meu quarto e chamei o detetizador
.